redes sociais, deletar de vez?
se correr o bicho pega, se ficar o bicho come
mica mica é um espaço pra navegarmos juntos a vida moderna. fique por perto:
há 83 dias atrás, deletei todas as redes.
apertei o botão de “deletar permanentemente” e não olhei pro celular por umas duas semanas.
sério, não precisa.
não tem a menor necessidade de apagar tudo.
da pra arquivar, deixar de lado, deletar os aplicativos do celular, mas manter as contas.
já é o suficiente.
deletar o perfil é um desperdício de tempo, porque cedo ou tarde é preciso voltar.
o mundo nunca mais vai ser “sem redes sociais”.
manter contato com todo mundo sem os “atalhos” de vídeo, foto e som? demanda tempo que ninguém tem mais.
sem redes você precisa escrever, contextualizar, separar fotos... pra-cada-pessoa.
conversar devagar e com intencionalidade é lindo, mas fazer isso sempre porque é seu único meio? é um deserviço à vida moderna. e acumula como “tarefas não feitas” na mente, como se conversar com pessoas fosse um projeto. o horror.
e sem redes… o que sobra?
bom, as mesmas coisas que você já faz com elas.
nesse tempo tirei fotos, fiquei observando as pessoas no metrô, sentei no parque sem fazer nada, liguei pra minha família, pros amigos, terminei mais de um livro, vi filmes e séries legais, conheci um tanto de gente nos coworkings, meetups, academias de escalada, estúdios de yoga…
e teria feito tudo isso com redes sociais também.
com a cabeça um pouco mais atordoada, mas teria feito.
a questão é mais ‘quando entrar nas redes’,
ou, ‘o que esperar das redes’,
e ainda, ‘o que e com quem quero comunicar nas redes’
do que usar elas ou não.
uma coisa é certa: é loucura, completa insanidade, abrir o app e scrollar a tela entre atividades, de manhã, sem um ‘objetivo em mente’ ou um tempo delimitado.
o celular não é tipo a geladeira que você abre pra pensar, muito pelo contrário…
como é viver o mundo sem filtro?
resolvi desligar completamente porque queria ver como é a vida sem tanta interferência.


o mundo é mais legal com a camada digital.
em doses homeopáticas, é uma delícia abrir um reels engraçado, aprender um negócio no youtube com efeitos de imagem e roteiro redondinho, ver fotos bem editadas…
se você fica só pouquinho nas redes, então você não precisa performar pra elas. achei que essas coisas tavam muito misturadas na minha mente, mas agora vejo que não tava tão mal assim, sei lá, continuo fazendo as coisas porque gosto e não pra me amostrar a ninguém.
uma coisa é querer ser o que não é, outra coisa é só querer comunicar - e ta tudo bem querer comunicar pra um monte de gente, querer que as pessoas conheçam quem você é, ensinar o que você acha de valor…
outro ponto de ficar pouco, o cérebro compara menos o mundo das telas com o real. assim, nada nem ninguém precisa dar tanta dopamina ou ser tão lindo e perfeito quanto é no celular, são duas coisas meio diferentes e ambas tem seu valor.
por exemplo, continuo viajando o mundo, devagar.
comecei o experimento sem redes no japão, se eu fosse esperar que o país fosse o espetáculo que é nas redes, ficaria decepcionada.
é um lugar incrível, mas é um lugar apenas haha
aliás, update, morei dois meses em Kyoto, outro tanto Tokyo, venceu o visto de 90 dias e agora estou falando diretamente de Seoul, na Coreia, onde vou ficar outro trimestre.

e assim… uma coisa é rede social pra ver coisas hypadas, outra coisa é usar a internet pra achar pontos interessantes. da pra achar, normal… chatGPT com prompts tipo "lugares não-turísticos" ou "submundo de tokyo" substitui qualquer reel salvo.




mas uma coisa é encontrar lugares e navegar o mundo, outra coisa é saber as coisas que tão rolando exatamente na semana, os sites individuais existem, mas estão sempre desatualizados.
todo estabelecimento se comunica pelas redes e sem acesso a esses "lugares" online… é um trampo desnecessário que ninguém precisa. assim, não é o fim do mundo viver sem essas facilidades, mas são oportunidades legais que a vida moderna proporciona, melhor aprender a usar com sabedoria do que sair fora totalmente.
obrigada por estar aqui (: mica mica é um espaço pra navegarmos juntos a vida moderna. continue por perto:






Temos que aprender a navegar, quase que no sentido literal. Eu fiz isso, não de apagar permanentemente, mas de estar menos exposto e percebi uma certa censura: "poxa vc não viu aquilo que postei", "como vc não sabe que [alguma tendência]"... Respondo sempre que estava ocupado, e peço pra pessoa me explicar, elas me tratam como se eu tivesse 120 anos de idade rs.
Mas é muito gostoso entrar em uma rede e ver uma amiga postando conteúdo sobre economia e pensar: "Caramba, ela sempre gostou muito de falar sobre isso, que bom que ela esta se expondo". Ainda não achei a dose certa da droga, as vezes alucino e passo horas no scroll, outras vezes fico uma semana sem responder o whastapp. Mas pelo menos eu estou com o remo na mão e aprendendo a lidar com as marés
Ruim com elas, pior sem elas.
Se não fosse as técnicas de cassino para prender a nossa atenção, elas seriam ótimas, mas de fato ficar sem elas é muito díficil.
Ficamos com ela, mas com o círculo que nos faz bem.