espero que você se encontre
o que você procura?
a gente virou a esquina do estúdio de yoga, o sol tava torando já,
pedala, pedala
ela explica mais o mestrado dela e diz que vai continuar em João Pessoa quando se formar.
eu digo que sou programadora e que vou continuar viajando por aí.
passa a rua chata de paralelepípedo,
chega na praia de cabedelo,
a gente vira em direções opostas, ela se despede:
_ amanhã não vou na prática, mas foi um prazer te conhecer, espero que você encontre o que esta procurando!


uma sensação de criança birrenta toma conta de mim, saio pensando:
_ procurando o quê? por que ela acha que tô procurando alguma coisa? ela acha que tô perdida?
em nova york ouvi que tava procurando marido rico, na índia procurando um sentido pra vida.
a gente tem de sempre ta de ta procurando por alguma coisa, é?
quando passa um café de manhã, sai pra caminhar pela cidade, abre o computador pra digitar, assina um contrato bacana, da risada com os amigos no telefone…
toda a sequência de escolhas diárias, a que se destina? a procurar?
parece meio cansativo que assim seja.
a existência se basta em seu próprio desdobrar, onde o próprio ato de caminhar com os próprios pés, observar e absorver, é mais do que o suficiente.
por mais que a gente deseje muito e corra atrás pra cacete, por mais que a gente deseje e “procure”, o desenrolar são as surpresas que a vida nos permite. ninguém sabe o dia de amanhã. não tô muito certa de que “quem procura acha”.
hoje um amigo falou de eu ta procurando por alguma coisa e percebi que a criança birrenta não ta mais por aqui. quando foi que ela foi embora? 6 - 12 -18 meses atrás?
sim amigo, poderia mesmo estar procurando por algo,
em outros momentos estive e tenho certeza de que no futuro estarei novamente.
agora não é o caso.
no agora, me dei a permissão de esse não ser o caso,
só pra variar um tanto.
não quero procurar por nada e pra ficar em paz com isso foi um processo.
nada é pra sempre, nem isso, nem se eu quisesse.
e, se a vida pode ser por uns instantes sobre fluir e não sobre um procurar incessante, ansioso… então percebo que uma coisa linda dessas também não é sobre tentar achar sentido pra tudo e ficar se explicando o tempo todo.
quando você se sente parte de um todo ao mesmo tempo que se encontra em si…
ainda tem o que procurar?


