imagens que formam nossos mundos
o que você quer ver?
to lendo ‘ways of seeing’ do john berger e ando refletindo sobre o poder das imagens ao longo da história e no momento presente.
formamos nossas impressões do mundo através de imagens, elas são complexas, rápidas, a gente bate o olho e nossa mente já trás um conjunto de coisas.
hoje a gente tem infinitas “dicas visuais” cheias de camadas de entendimento.
só de ver a foto de perfil de alguém seu cérebro monta um tanto de ideias e mesmo se você não pensa conscientemente sobre isso, inevitavelmente seu corpo trás sentimentos e expectativas sobre essa imagem.
deveríamos estudar muito mais imagens na escola.
deveríamos saber o nome de mais quadros e esculturas, onde eles eram pendurados, quantas pessoas tinham acesso áquilo e quem eram as pessoas que assistiam aquelas imagens.
imagine você que a maioria das pessoas construiu seus imaginários, formou sua concepção inconsciente de mundo e passou ensinamentos aos seus filhos entrelinhas, não lendo livros, mas vendo imagens como essas:
as imagens não pedem licença.
ano passado fui num tour arqueológico no interior de estado de maharashtra, na India.
o grupo era formado por um profê de harvard e alguns nerds entusiastas de sânscrito, muito versados em bater o olho em esculturas hindus e entender de qual tradição elas são e o que supostamente significavam pras pessoas da época olhar praquilo.






em um dos templos-cavernas encontramos um Ganesha com seios femininos e foi um bafafá! o que as pessoas que frequentavam aquele lugar entendiam diferente porque aceitavam aquela imagem ali?
um “detalhe simples”, muitos significados pra pensar!
imagina no nosso mundo atual.
…
hoje, quais imagens mais pulam em sua tela, independentemente do quanto você “treine” seus algoritmos? quais imagens você aceita, quais você gera e quais você ativamente procura por?
e as pessoas com quem você “convive” digitalmente, estão nutrindo seus inconscientes por que tipo imageria, ou seja, o que guia os pensamentos e discursos seus e dos seus amigos online?
esse ano fiquei 83 dias sem redes sociais,
60 dias sem scrollar nada (nem sites de notícia, substack, pinterest, nada).
ao fim postei esse review de como foi essa experiência e defendi que não precisamos deletar nossos perfis.
disse senti falta de papos, de aprender e de dar risada com posts ótimos.
isso faz três meses e, em partes tudo isso é verdade,
mas desde que voltei testei algumas coisas eu mesma, o que postar, como, com quem falar, o que procurar, quem seguir, como me sinto postando isso e aquilo, falando com essa ou aquela pessoa, procurando notícia ou arte ou…
no fim, em qualquer configuração, acho que o que a gente ganha não compensa o que perde, o custo pra nossa clareza mental é alto demais.
é muita informação… já tô cansada de novo.
ficarei offline do instagram novamente, dessa vez por 124 dias,
até o dia 15 de fevereiro de 2026,
2 dias depois do meu aniversário de 35 anos.
para meus amigos de insta, vou responder de vez em quando por lá,
mas estarei muito mais por aqui agora.
até já (:





Simplesmente adoro os relatos das suas experiências e me sinto da mesma forma, é bom se desligar um pouco hehe
nossa, também sinto que perco clareza mental quando tô muito ligada nas redes sociais.