um ano e meio nômade
sobre multiculturalismo cognitivo
a cada troca de país, cidade, bairro, grupo de amigos, empregos, livros ou contexto no geral, nosso cérebro muda a forma de pensar.
é preciso desenvolver flexibilidade mental pra vivenciar diferentes universos.
pra além de carimbos no passaporte e conversão de moedas, no último ano e meio como nômade digital explorei novas formas de ver e viver o mundo.
não entendi todas elas de cara, mas a cada destino tentei “me misturar” com a cultura local pra tirar algum aprendizado, por mais desconfortável que pudesse ser ás vezes.
não estou falando de aprender algumas palavras em outro idioma pra poder pedir um café, mas de ver o que a maioria das pessoas faz e experimentar fazer igual.
Estudos mostram que pessoas que pertencem a muitos grupos diferentes e consideram ter muitas identidades são menos preconceituosas e mais flexíveis mentalmente (o que os psicólogos chamam de “complexidade de identidade social”). (fonte)
em nova york a maioria das pessoas é mais criativa, ambiciosa, não importa muito de onde você vem, mas o que você gosta e sabe fazer, eles transitam diferentes grupos de amigos e de empregos de forma fluida, são muito disruptivos e dinâmicos os new yorkers. ano passado morei três meses por lá e foi assim que tentei viver.
cinco meses depois estava em Kyoto, onde a maioria das pessoas são muito reservadas e silenciosas, passam bastante tempo sozinhas e quando conversam entre si geralmente usam muito mais “palavras educadas” do que a gente costuma ver em outras culturas. a cidade dorme cedo, tem muita história e natureza pra absorver… e foi assim que tentei viver por dois meses.
sempre sendo verdadeira e honesta, mostrando meu eu pras outras pessoas, mas também me permitindo brincar com diferentes formas de vestir, de comer e de me comunicar. com certeza fui me transformando e mudei a forma como vejo o mundo.
na real, mesmo se nem tentasse experimentar as diferentes culturas das cidades, cada lugar tem uma infraestrutura pública específica que te “obriga” a seguir o ritmo.
em Veneza, na Italia, não tem como você pegar um metrô, todos tem que respeitar o tempo de andar pela cidade ou pegar um ferry e isso muda a velocidade com que você olha pras coisas e pessoas ao seu redor.
aqui em Saigon, no Vietnam, o pessoal se locomove de moto pra cima e pra baixo, milhares e milhares de motinhas lado a lado; já em Seoul, na Coréia, a cidade é cheia de morros, então metrô e ônibus são a melhor pedida.
cada lugar também tem uma camada digital diferente, um conjunto de aplicativos:
em Nova York você faz absolutamente tudo com seu cartão de crédito na carteira do celular, se você quiser, até o passe do metrô! é só usar o mesmo cartão e ele calcula o preço do conjunto de passagens de acordo com seu uso. andar pela cidade é também muito conveniente, porque Manhattan é plana, as calçadas não tem um buraco sequer e os quarteirões são planejados, muito simétricos, você meio que perde a noção de que esta andando e andando...
Em Tokyo é preciso parar na máquina e carregar o cartão do metrô com dinheiro em espécie, e apesar do sistema de transporte ser super moderno e cruzar o país inteiro, ás vezes, pra comprar o ticket do trem, é melhor ir no guichê pessoalmente e falar com um ser humano do que comprar online.
e assim vai, não tem a melhor forma de fazer as coisas, não tem um lugar mais atrasado e outro muito mais avançado, cada um tem seus altos e baixos, e varia a depender da avaliação de quem esta falando rs
pra navegar tudo isso o cérebro desenvolve progressivamente diferentes códigos de pensamento, ele alterna entre diferentes modelos mentais e se adapta para alternar entre eles automaticamente.
ao viajar e se permitir deixar seu ego um pouco de lado e experimentar a forma como outras culturas também vivem a centenas ou milhares de anos, você se torna uma pessoa mais cheia de nuances e flexível.
um mundo com pessoas assim, multiculturais, forma redes para conexões mais criativas, que fazem conexões inesperadas e geram novas ideias, mesmo que nas pequenas coisas do cotidiano, pequenas transformações.
viajar é uma experiência imersiva intensa, onde você não tem como “escapar” de se adaptar, mas tem outras formas de ousar sair do que estamos acostumadas.
voltando ao início do texto, isso pode ser alcançado viajando, sim, mas também navegando entre diferentes grupos de pessoas, buscando ler sobre assuntos que você não leria, aprendendo novos trabalhos, idiomas, instrumentos…
até a próxima (:
um beijo
mica



